O Minimalismo não se interessa por você. Por isso é importante.

O Minimalismo não se interessa por você. Por isso é importante.

“Por séculos a arte vem tentando te enganar, te convencer de que o pedaço de pedra é algo mais do que um pedaço de pedra. Mas não essa arte.” - Sarah Urist Green

 

Nova York, anos 60. Depois dos excessos emocionais e temáticos do Expressionismo abstrato surge uma movimentação que foi tanto uma recusa quanto uma reelaboração da arte daquela época. Anônima, fria, simples, industrial e repetitiva, surge a arte Minimalista.

Die (1962). Tony Smith.

O canal Art Assignment publicou um vídeo da Sarah Urist Green em “defesa” do minimalismo. É importante notar que o vídeo fala especificamente do movimento minimalista de Nova York nos anos 60 que foi levado a cabo por artistas como Frank Stella, Carl Andre e Tony Smith.

“Esses novos artistas queriam remover toda a expressividade, remover a emoção. Esvaziar a obra de gestos idiossincráticos. Torná-la resistente a uma leitura biográfica. Suas formas básicas, retas e pontiagudas evitavam a ilusão, a metáfora e o simbolismo excessivo. Os formatos eram repetidos um após o outro em arranjos regulares e sem hierarquia, rejeitando uma composição balanceada.”

Por Robert Morris.

Talvez as melhores explicações sobre o que foi o Minimalismo venham dos próprios artistas envolvidos:

“O melhor é que a unidade básica seja intencionalmente desinteressante.” - Sol LeWitt
“Não aos valores transcendentes e espirituais, à escala heroica, decisões agoniadas, narrativa historicista, artefatos valiosos, estruturas inteligentes, não à experiência visual interessante.” -Robert Morris

Já a defesa, ou parte dela, como uma forma de entender a arte minimalista de acordo com seus próprios objetivos e bandeiras é essencial para uma visão mais plural e menos pautada naquilo que o cânone propõe como parâmetros artísticos:

Equivalentes. Carl Andre.

“Mas eles diziam sim a uma nova e chocante realidade, abandonando o pedestal para desmantelar a separação entre você e a arte. Por séculos a arte vem tentando te enganar, te convencer de que o pedaço de pedra é algo mais do que um pedaço de pedra. Mas não essa arte.
Ela encoraja a observação, entretanto não te atrai e nunca quis atrair. Lembre, esses objetos deviam ser livres da pretensão, da autoridade, da sedução usual entre arte e espectador, das grandes tradições que a precederam.”

Conhecemos muito bem a importância das formas mais tradicionais de arte, não só a importância como os benefícios, porém se o Minimalismo se coloca contra tudo isso, onde fica a relevância desse movimento? Sarah Urist Green tem um argumento:

“A arte minimalista ainda consegue impor um sentimento intenso. Um sentimento de espaço, luz, presença e ausência. Você fica consciente do seu corpo na galeria como nunca esteve antes. Você percebe que sua posição na sala determina a forma como você percebe as coisas. Você aprecia a arquitetura e a simplicidade.
Esse é um mundo mais simples que o mundo real e isso é algo que eu consigo valorizar.”

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